Nuno Martins, presidente
da Assembleia-geral, e
alguns membros dos órgãos
sociais têm assegurado
a existência formal da Cooperativa,
sem que apareçam
pessoas dispostas a assumir
uma nova direcção. No último
ano de funcionamento,
o Lagar de Alvados acumulou
dívidas de cerca de 7.500
euros, apenas a fornecedores,
pagamentos de impostos,
água ou luz. Nuno Martins
refere que este valor já
foi liquidado, através da realização
de festas e convívios.
Por pagar estão ainda os cerca
de cinco mil euros de ordenados
aos trabalhadores
que asseguraram o último
ano de funcionamento do lagar.
A cooperativa assegurava
também o fornecimento
de rações e adubos, que acabou
por ser suspenso.
Apesar da situação difícil,
Nuno Martins ainda tem esperança
no aparecimento de
uma nova direcção, que possa
dar um novo dinamismo
à Cooperativa. “Vamos tentar
assegurar a existência para
ver se aparece uma direcção.
Será difícil, mas penso
que ainda é possível”, refere
o responsável, que já pertenceu
a vários órgãos sociais
da Cooperativa. Apesar
de existirem vários lagares a
funcionar com condições semelhantes
ao espaço em Alvados,
o responsável acredita
que o equipamento desactualizado
é um dos factores
que tem afastado o interesse
dos sócios na constituição de
uma nova direcção.
Para Nuno Martins, três
anos depois, “as pessoas já se
habituaram a ver o lagar fechado”,
ainda que as pessoas
“tenham estranhado no primeiro
ano”. Já António Pardal,
presidente da Junta de
Freguesia de Alvados, considera
que ainda existe “população
que sente alguma frustração”
pelo encerramento de
um dos lagares mais antigos
da região.
Apesar de admitir que “algumas
coisas não correram
bem” na última direcção da
Cooperativa, António Pardal
sublinha o esforço que
foi feito na regularização das
dívidas, acreditando que “estão
reunidas condições para
se encontrar uma nova direcção”.
António Pardal e Nuno
Martins afirmam que a Junta
de Freguesia já foi apontada
como a solução do problema,
assumindo o espaço. No
entanto, ambos partilham a
ideia que ainda existem outras
possibilidades. O autarca
afirma que a Junta de Freguesia
“está disposta a colaborar”
para que se encontre
uma solução, no entanto,
lembra que “a Cooperativa
tem sócios, que são os proprietários”.
Nuno Martins
refere que essa opção não está
prevista, para já.
Nas assembleias-gerais
que se têm realizado, chegou
também a equacionarse
a possibilidade de interpor
uma acção no tribunal contra
o anterior presidente da
direcção. Nuno Martins afirma
que a proposta não teve
seguimento, pois seria mais
uma despesa para uma Cooperativa
que já tinha uma
grande dívida. Além disso, a
má organização da contabilidade
iria dificultar o desenvolvimento
do processo.
Victor Vieira, o presidente
da última direcção da Cooperativa,
escusou-se a prestar
esclarecimentos sobre a
situação em que deixou o lagar,
admitindo, no entanto,
que sentiu “falta de ajuda e
colaboração” durante o período
que esteve a gerir o espaço.
Patrícia C. Santos
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