Alguns órgãos
de comunicação social
nacional foram céleres
a apontar “origem criminosa”
para o sinistro,
mas a verdade é que, oficial
e publicamente, não é
conhecida nenhuma indicação
nesse sentido.
Permanece assim o
mistério sobre este incêndio
cujas consequências
se traduziram, essencialmente,
em avultados danos
materiais e que causou
estupefacção naquela
freguesia do concelho de
Gouveia. “Nunca aqui se
viu uma coisa destas”,
desabafou um dos muitos
populares que passaram
pelo local.
Origem
desconhecida
A hora e as circunstâncias
em que o incêndio
eclodiu continuam por
determinar. Contudo, o
NG apurou que por volta
das 06.00 horas terá disparado
o alarme de uma das
viaturas que viria a ser
consumida pelo fogo. O
som do alarme foi ouvido
por uma vinhoense que,
chegando à janela, apercebeu-
se de que estaria um
carro a arder.
O alerta chegou ao
quartel dos Bombeiros
Voluntários de Gouveia
por volta das 06.15 horas.
Apesar da pronta deslocação
para o local, os ‘Soldados
da Paz’ já pouco
puderam fazer, uma vez
que quando ali chegaram
as viaturas já estavam
completamente destruídas
pelo fogo. Ainda assim,
os 12 Bombeiros,
apoiados por 4 viaturas,
cumpriram os procedimentos
normais neste
tipo de situação.
Quando o NG chegou
ao local, o cenário era perfeitamente
surpreendente,
com cinco viaturas
completamente calcinadas.
Quatro dos carros -
uma carrinha Ford Mondeo,
um Ford Escort, um
BMW e um Volkswagen
Jetta estavam estacionados
mesmo em frente ao
edifício solarengo conhecido
por Casa do Passal.
A quinta viatura, um Citröen
AX, encontrava-se
atrás do Volkswagen Jetta,
com o qual não terá
colidido, ao contrário do
que chegou a ser aventado
no local.
Apesar de ainda não
ter amanhecido, era perfeitamente
perceptível
que também a fachada da
Casa do Passal sofrera os
efeitos do fogo. Ainda assim,
os danos acabaram
por ser menores do que
aquilo que poderiam ser caso
os vidros da casa -
que se encontrava desabitada
- tivessem estalado
com o calor. Essa foi também
a convicção de alguns
habitantes locais
que, gradualmente, foram
acorrendo ao local, à medida
que o tempo ia passando.
Ainda assim, apesar de
o incêndio ter ocorrido
numa artéria relativamente
central da freguesia
- em frente à sede do
Rancho Folclórico de Vinhó
- a verdade é que não
foram muitos aqueles
que, inicialmente, se aperceberam
da ocorrência,
talvez por ser aquela uma
zona pouco habitada.
Presente no local desde
a madrugada, a GNR de
Gouveia cortou a circulação
rodoviária no local,
onde as entidades competentes
- nomeadamente
elementos da Polícia Judiciária
da Guarda - deram
início às investigações
logo pela manhã.
Também o Governador
Civil da Guarda, Santinho
Pacheco, passou por Vinhó
com o intuito de se
inteirar das consequências
deste incêndio com características
já vistas noutros
pontos do país e do
mundo, mas muito raras
neste distrito e, principalmente,
no concelho de
Gouveia.
Dos cinco veículos destruídos,
dois pertenciam a
um indivíduo de nacionalidade
búlgara, outro a
uma jovem que se deslocara
à aldeia para ali passar
o fim de ano, enquanto
os outros dois eram
propriedade de habitantes
locais. Às chamas escapou
ainda uma outra
viatura que, ao contrário
do habitual, estava estacionada
a poucos metros do
local onde o incêndio deflagrou.
Ainda assim, estima-
se que os prejuízos
tenham ultrapassado os
cem mil euros.
Crime,
curto-circuito…
Como já foi referido,
alguns dos relatos decorrentes
deste insólito acontecimento
adiantaram a
possibilidade de o fogo
ter tido origem criminosa,
havendo também quem
tenha veiculado a versão
da possível ocorrência de
um curto-circuito. Outro
dos cenários adiantados,
mas desmentido pela posição
das viaturas, era o
de uma possível colisão.
Ainda assim, causou natural
estranheza o facto de
o Citroen AX - um dos veículos,
alegadamente pertença
de um cidadão búlgaro
- estar ‘desalinhado’
em relação aos outros
quatro carros que estavam
normalmente estacionados.
A resolução deste misterioso
incêndio que catapultou
o nome de Vinhó
e do concelho de Gouveia
para as televisões e para
as páginas dos jornais está
agora nas mãos da Polícia
Judiciária da Guarda.
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